segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Saudades

Sinto falta do cheiro da terra fresca. Dos meus pés na relva e minhas mãos nas cascas das árvores desse lugar que eu nunca vi com meus próprios olhos. Desse lugar que só existe em meu coração. E quando fico triste sinto saudade de meu cavalo e da minha terra. Sinto falta de galopar até o mar e depois andar pela areia, molhando os pés na água do mar. Naquela praia que só existe aqui dentro de mim.

Eu não tenho cavalo. Eu nunca fui até aquela floresta. Eu nunca ouvi o cantar dos pássaros azuis e nem entrei na catedral. Eu não lembro do nome desses meus amigos fieis. Aqueles que contavam histórias comigo ao redor da fogueira na beira do mar. Eu lembro porém de seus rostos e de como eu ficava feliz quando eles sorriam. Contudo nada disso ocorreu nesta vida.

Aqueles que não acreditam que houve um antes dirão que tenho mente fértil. Seja só imaginação ou não. Essa saudade é real. Seja saudade do que eu vi e ficou para trás. Seja  então para os descrentes somente saudade de coisas que nunca vivi. Seja então saudade... Porém se essas coisas só existem na minha mente porquê meu coração se aperta quando lembro da minha terra, do meu cavalo e daquele mar?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sombras e Luz

Eu só queria não ser essa confusão de sombras e luz. Seria mais fácil se eu soubessem quem eu sou. Porém se a dor da dúvida me deixar eu saberei lidar com a resposta se ela negar minhas estrelas e sonhos?  Se ela negar minha sombra... Talvez eu seja mais feliz. Talvez eu me perca em um lugar sem céu.

Não quero.

Eu consultei os sábios e eles me disseram para viver e deixar de lado essas questões estranhas. Elas não tem respostas. Eu consultei os reis e me disseram ser tolice que se esquece com mesa farta e bailes de máscara. Eu consultei meu amigo e ele me disse para esquecer e parar de tolice. Eu consultei você, sombra que me habita e você  disse que a resposta está enterrada em uma catedral de pedras dentro de mim.
Só que eu me perdi no caminho. Fiquei encantada por estrelas e por sonhos de camponeses. Perdi seus passos. Minhas asas foram cortadas.


O que faço agora?

O que faço? Seus olhos azuis são capazes de me dizer? Você ainda tem suas asas e seu casaco negro? Você ainda tem sua espada e ainda fala com dragões e murmura com o vento? Eu perdi estas coisas amigo... Eu não sei onde fica a catedral porque sou uma confusão de veredas tortuosas e florestas claras. Eu não lembro da tua voz...